A DAMA DA ROSA
Milamarian
Em frente ao espelho dispo a seda
alheia à face que reflete saudade
nas tristes horas em total nulidade
do perfume vestido na alameda.
Senhora que sou nem mesmo de mim
atravesso as cortinas e me desfaço
pois o aroma deitado naquele terraço
sangra a dor da tua ausência sem fim.
Metade de dois, dois menos um
sou vazio na ânsia de ir e voltar
sou o zero! sem ti... sou nenhum.
Dama que nas manhãs ainda chora
sou rainha sem rei nas tardes a esperar
a rosa vermelha do hoje e agora.
Japão - 23.12.2006
